Paciente com melanoma descobre câncer mais cedo graças à vaidade
A médica dermatologista Dra. Cintia Cunha
Era uma sexta-feira, última paciente, uma moça bonita entra no consultório feliz querendo tratar as manchinhas do rosto. Ela era muito vaidosa.
Estávamos numa sintonia boa e gostosa durante a consulta. De repente, vejo nas pernas dela uma pinta. Opa! Aquela mancha não era nada boa. Bati o olho e já percebi. Era um melanoma, um câncer de pele maligno que se não tratado, pode matar em poucos anos. Fiquei preocupada. Aquela moça estava tão feliz… só falava na alegria de tratar a pele. Será que ela iria acreditar em mim? Eu iria deixá-la triste? Desesperada? Não queria vê-la assim.
Respirei fundo, e disse com toda calma o que estava acontecendo. Pedi a ela que fizesse uma biópsia, um exame da pinta. Contei que poderia ser algo muito sério. Não sei se ela tinha noção, pois ela voltava e perguntava “mas a minha mancha do rosto vai clarear?”.
Meu Deus… a mancha do rosto? Estou diante de uma moça que pode nem sobreviver se não acreditar em mim! Falei várias vezes do quanto era importante procurar um cirurgião e tirar a pinta…. e a moça vaidosa saiu.
Cheguei em casa, mal dormi. Será que ela agendou a cirurgia? Será que ela deu importância? Ela ficou de retornar com o exame… mas… passaram-se semanas… e nada da moça voltar. Na época tentei encontrá-la, mas em vão. A moça sumiu.
Durante meses… anos… ainda lembrava dela. Será que a moça vaidosa seguiu minhas orientações? Será que estava viva? Rezava para que sim!
Alguns anos depois, quando eu abro a porta do consultório para chamar um paciente, eis que surge uma mulher, e ela rapidamente me abraça apertado, me da um beijo quase me sufocando e diz com olhos marejados: “você não se lembra de mim, mas eu rezo todas as noites por você. Obrigada por ter salvado a minha vida!”
Quem quase chorou fui eu… era ela! E pensei: “Você é quem não imagina o quanto eu lembrei e rezei por você todos esses anos!”
